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Atendimento psicológico e psicoterapia com escuta qualificada, dedicação e caminhos para superar desafios e construir uma vida com mais sentido.

Ricardo Melo Logoterapeuta CRP -18/8433

Psicologia em Pauta

Artigo do mês: SETEMBRO | 2026

Nem Todo Sofrimento
Faz Barulho

Setembro Amarelo

Por Ricardo Melo – Psicólogo e Logoterapeuta

Setembro é marcado por uma importante mobilização em torno da prevenção ao suicídio e da valorização da vida. Mas talvez uma das perguntas mais importantes desse período não seja apenas como prevenir uma situação extrema, e sim: o que estamos fazendo para perceber o sofrimento antes que ele chegue ao limite?

Vivemos em uma época em que perguntar “tudo bem?” se tornou quase automático. E, muitas vezes, a resposta também é: “tudo”.

A conversa termina ali. Mas será que estamos realmente perguntando como as pessoas estão ou apenas cumprindo um ritual social?

Nem todo sofrimento faz barulho. Nem sempre ele aparece em lágrimas, isolamento ou palavras que expressem claramente um pedido de ajuda. Algumas pessoas continuam trabalhando, estudando, cuidando dos filhos, frequentando ambientes sociais e sorrindo enquanto enfrentamos internamente experiências que ninguém percebe.

Isso não significa que todo comportamento diferente seja sinal de sofrimento psicológico. Significa apenas que o sofrimento humano não possui uma única aparência.

O sofrimento nem sempre se apresenta como imaginamos

Existe uma expectativa de que uma pessoa em sofrimento precise demonstrar claramente que não está bem. Esperamos encontrar alguém triste, abatido, isolado ou incapaz de continuar sua rotina.

Mas a experiência humana é muito mais complexa. Há pessoas que se calam. Outras se tornam excessivamente ocupadas. Algumas ficam mais irritadas, outras perdem o interesse pelas coisas que antes apreciavam.

Há quem passe a evitar encontros, quem responda cada vez menos, quem esteja presente fisicamente, mas emocionalmente distante.

Nenhum desses sinais, isoladamente, permite concluir que alguém esteja enfrentando uma crise. Mas mudanças persistentes podem ser um convite para prestar mais atenção.

É justamente aqui que a Logoterapia oferece uma contribuição importante. Para Viktor Frankl, a pessoa não pode ser reduzida à sua condição, ao seu sofrimento ou aos seus sintomas. O ser humano é mais do que aquilo que lhe acontece.

Uma pessoa pode estar sofrendo profundamente e, ainda assim, continuar sendo muito mais do que o sofrimento que experimenta.

Por isso, perceber alguém exige mais do que identificar comportamentos. Exige reconhecer a pessoa por trás deles.

Nós aprendemos a reconhecer sintomas, mas aprendemos a reconhecer pessoas?

A Psicologia nos ajuda a compreender comportamentos, emoções e sinais de sofrimento. Mas existe uma diferença entre identificar sinais e encontrar uma pessoa.

Uma pessoa não é apenas sua irritabilidade. Não é apenas seu silêncio. Não é apenas sua falta de motivação. Não é apenas aquilo que publica nas redes sociais. E também não é apenas o sofrimento que está experimentando.

Essa compreensão está profundamente relacionada à visão de homem da Logoterapia. Frankl compreende a pessoa como um ser que possui liberdade interior e responsabilidade, mesmo diante de circunstâncias que não escolheu.

Isso não significa que alguém escolha sofrer. Significa que, mesmo quando não podemos escolher todas as circunstâncias da vida, existe uma dimensão humana capaz de assumir uma posição diante delas.

Por isso, cuidar não significa interpretar cada comportamento ou tentar descobrir o que existe por trás de cada silêncio. Significa estar disponível para perceber mudanças, fazer perguntas com sinceridade e criar relações nas quais seja possível falar sem medo de ser imediatamente julgado ou corrigido.

Às vezes, o primeiro passo do cuidado não é oferecer uma resposta.

É OFERECER PRESENÇA.

Perguntar é fácil. Escutar é outra coisa

“Está tudo bem?”

Talvez essa seja uma das perguntas mais utilizadas nas relações humanas — e uma das menos escutadas.

Perguntamos, mas nem sempre estamos preparados para ouvir uma resposta diferente daquela que esperamos.

Se alguém disser “não estou bem”, o que fazemos?

Tentamos resolver rapidamente?
Damos um conselho?
Mudamos de assunto?
Comparamos o sofrimento daquela pessoa com o sofrimento de outras?

Frases como “você precisa ser forte”, “isso vai passar”, “pense positivo” ou “tem gente passando por coisa pior” podem nascer de uma tentativa de ajudar, mas nem sempre produzem acolhimento.

Escutar é diferente de consertar.

Na Logoterapia, a consciência possui um papel fundamental. Frankl a compreende como aquilo que permite à pessoa perceber uma possibilidade concreta de sentido em determinada situação.

Talvez isso também nos ensine algo sobre a escuta: nem sempre teremos a resposta certa para a dor do outro. Mas podemos estar presentes o suficiente para ajudá-lo a perceber que ele não precisa enfrentar tudo sozinho.

Uma escuta cuidadosa não substitui o acompanhamento profissional. Mas pode ser justamente o primeiro passo para que alguém reconheça a necessidade de buscá-lo.

O ser humano é maior do que o seu sofrimento

Viktor Frankl dedicou sua obra à compreensão do ser humano diante do sofrimento. Para ele, liberdade e responsabilidade são inseparáveis.

Não escolhemos todas as perdas. Não escolhemos todas as dores. Não controlamos todas as circunstâncias.

Mas podemos, dentro dos limites concretos de cada situação, buscar uma maneira de nos posicionarmos diante delas.

É importante compreender isso sem romantizar o sofrimento.

Encontrar sentido não significa considerar a dor boa ou necessária. Também não significa dizer a alguém que basta “ter propósito” para deixar de sofrer.

Na Logoterapia, o sentido é concreto e situado. Ele pode ser encontrado no amor, no trabalho, na realização de uma tarefa, em uma responsabilidade assumida e, em determinadas circunstâncias inevitáveis, na atitude que escolhemos diante daquilo que não podemos modificar.

Por isso, mesmo quando o sofrimento ocupa um espaço enorme, ele não precisa ocupar todo o espaço da existência.

A pessoa continua sendo mais do que aquilo que está vivendo.

Prevenção também é relacionamento

Falar sobre prevenção do suicídio não deveria acontecer somente quando alguém apresenta sinais evidentes de uma crise.

Prevenção também está na construção cotidiana de vínculos.

Está em perceber quando alguém se afastou.
Está em perguntar novamente quando a resposta parece automática.
Está em não tratar vulnerabilidade como fraqueza.
Está em encorajar alguém a buscar ajuda quando o sofrimento ultrapassa aquilo que podemos oferecer.

A Logoterapia acrescenta aqui outro conceito fundamental: a autotranscendência. Para Frankl, o ser humano não encontra realização apenas olhando para si mesmo, mas também ao voltar-se para algo ou alguém além de si.

Isso nos ajuda a compreender a importância dos vínculos, dos relacionamentos, das responsabilidades e das possibilidades que ainda existem na vida de uma pessoa.

Não precisamos assumir o lugar do psicólogo. Mas podemos ser pessoas mais atentas. Podemos ser presença. Podemos ser vínculo.

Podemos ser aquela conversa que ajuda alguém a dar o próximo passo em direção ao cuidado profissional.

Nem tudo precisa ser dito para ser percebido

Existe uma diferença entre imaginar que sabemos o que o outro está sentindo e estar atento ao que ele está vivendo.

Não precisamos interpretar todos os silêncios.

Não precisamos transformar qualquer mudança em diagnóstico.

Não precisamos ter respostas para todas as dores.

Mas podemos aprender a olhar um pouco mais demoradamente.

Podemos perguntar e esperar.

Podemos ouvir sem imediatamente tentar resolver.

Podemos perceber que aquele colega que sempre faz piada também pode estar atravessando uma fase difícil. Que aquele amigo que desapareceu talvez precise de uma conversa. Que aquela pessoa que responde “está tudo bem” talvez esteja dizendo apenas aquilo que consegue dizer naquele momento.

E, quando o sofrimento for intenso, persistente ou envolver risco, buscar ajuda profissional e serviços especializados é fundamental.

O Setembro Amarelo nos lembra da importância da prevenção, mas talvez também nos convide a algo mais simples e mais difícil: estar verdadeiramente presentes na vida uns dos outros.

Porque algumas pessoas não precisam apenas de alguém que escute sua resposta.

Precisam encontrar alguém disposto a permanecer depois dela.

Nem todo sofrimento faz barulho. Mas isso não significa que ele não esteja pedindo para ser percebido.

Nossos serviços

Atendimento Psicológico

Acolhimento individual para questões emocionais, ansiedade, depressão, relacionamentos, autoestima e autoconhecimento.

 

Psicoterapia

Acompanhamento profundo para auxiliar no enfrentamento de desafios, no desenvolvimento pessoal e na busca de sentido para a vida.

 

Palestras

Conteúdos voltados para empresas, escolas e grupos, promovendo reflexão, bem-estar e motivação.

 

Sobre o profissional

Sou Ricardo Melo, psicólogo com atuação focada na Logoterapia e na escuta qualificada como caminho de transformação.
Fundado em março de 2024, o consultório nasceu com a missão de oferecer um espaço seguro, humanizado e acolhedor, onde cada pessoa possa ressignificar suas experiências, encontrar novos sentidos e desenvolver seu melhor potencial.

Por que escolher o nosso consultório?

Atendimento humanizado com foco na Logoterapia

Acolhimento que valoriza a singularidade de cada pessoa, ajudando a encontrar sentido e propósito diante dos desafios.

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